“Olá Amiguinhos”

Já não foi hoje, mas todos devemn ter ouvido dizer que morreu Vasco Granja.
Dois tipos de homem.
Para uns – por exemplo os meus miúdos – uma personagem perfeitamente transparente nesta sociedade mediatizada da última dúzia de anos. Sem lugar nela. Desconhecido. Inexistente.
Para outros – com a minha idade ou uns pós a menos – uma figura a quem se agradece ter semeado na nossa infância a mãos cheias o que hoje de sonho e imaginação nos resiste a vidas adultas, rotinadas e sem espanto.
Quando não havia net, nem DVDs ou vídeos, ou sequer televisão a cores, este homem levou gerações a mundos imaginários e imprevistos que iam do Tex Avery à Warner, da Pantera Cor-de-Rosa a coisas perfeitamente conceptuais e ininteligíveis saídas à altura das escolas mais modernaças de animação da Europa de Leste…
…Em mais – li-o agora incrédulo – de mil episódios do seu programa sobre animação, em que invariavelmente abria o convívio com os seus espectadores sedentos com a dignidade de um gentil “Olá amiguinhos…“
Para o Vasco Granja, deste seu – sempre – pequeno amiguinho, um abraço de gratidão.
Por algo que me deu e que relembro 30 anos depois.
E se calhar é essa a derradeira vitória de um pioneiro, o conseguir calar o esquecimento.












