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Acertar Duas Contas

O pós-eleições já mexe.
Aliás, estas coisas começam – se não de antes – logo na “noite eleitoral”…

1 – Louçã, o tal craque do academismo económico soviético, amado líder de um partido a que um País politicamente ignorante deu o dobro da votação e de mandatos para esta legislatura, vestiu precoce a camisola do totalitarismo de comité, falando pela boca do povo faminto de líder carismático.
Disse o senhor que naquela noite “Maria de Lurdes Rodrigues perdera o seu lugar no ‘governo’ perante o País” e que “os professores tinham ganho em nome da Educação“.

Lamentavelmente, e como se lhe esperava, o tom grave de discurso arrancado lá de baixo não serviu grande conteúdo.
Apenas para a vacuidade e para a demagogia.

Toda a gente sabia de ginjeira que a tão afamada “Milú” não tinha lugar vago em fosse qual fosse um governo PS a formar. Tal a bagunça que ajudou a trazer sobre a cabelça de outro igualmente amado líder das massas, o sr. Pinto de Sousa.
Acontece é que a nega governamental se ficou a dever às manifestações notáveis de professores na rua, que abalaram as sapatas do edifício da “Educação”. À resistência, à oposição, à coragem na defesa do que era inviolável. (Isto, é certo, antes da conformidade, da desistência – que tristemente me fartei de antecipar – e do prazer da votação na origem de todos os males, da parte de tantos docentes e outros lusos…)

O que é certo é que a colagem de Louçã e do Bloco à queda de Maria de Lurdes Rodrigues não cola. Mais: é uma estupidez e um insulto vestir-se de timoneiro da barca educativa, reduzindo os seus tripulantes e passageiros àquela caricatura que muitos já tentaram, a dos “controlados politicamente pelo esquerdalho ruidoso”.
(…Ou, pelo menos, a colagem não cola até que o número de professores a votar Bloco de Esquerda me tire de vez a razão.)

O Bloco mostra que apesar do disparo incompreensível da sua votação continua a ser um partido paroquial com tiques e técnicas que não enganam ninguém. (Digo eu!)

…O que leva ao segundo ponto…

2 – “Os professores não ganharam nada na noite eleitoral!” Gritaria eu a plenos pulmões.

Apesar da supracitada festarola, só ganharam alguma coisa na “noite eleitoral” aqueles que gostam da política e das eleições como de ir à bola , ir ao circo, ir ao Zoo ver os macacos a atirar cócó uns aos outros, ou outro espectáculo edificante que tal.
O professor – ou pai, ou cidadão – que não se limite a achar que “ganhar” é ver “o seu partido” (se é que isso ainda existe…) ter mais votos que outros, ver subidas e descidas nos tops, “impedir maiorias” ou outras tontices, olha para o futuro da Educação e não vê nada de novo. O que é simplesmente sinistro.

 Já veio a – ainda – senhora Ministra da Educação fazer a última birra do morto, contra as palavras de Louçã.
E ao que parece o último suspiro deu-lhe para a cristalina clarividência.

Quando diz que a vitória do PS é “bem merecida porque é o resultado da sua visão e determinação de progresso para o país limita-se a exercer o seu direito constitucional à bojarda redonda.
Quando afirma que Louçã “não tem legitimidade para falar em nome de todos os portugueses“, limita-se a uma prática que lhe é usual e já a todos saudosa, a da tirada desavergonhada…
Mas, quando afirma que “é um erro centralizar e fulanizar” a política educativa, é apenas arrasadora.

É que está totalmente certa. (Por oposição ao míope e gigantista Louçã.)

Os desmandos sofridos pela Educação nesta última quase meia década foram obra de uma mulher. E de um Ministério. E de um “Governo”. E de um Primeiro-Ministro. E de uma maioria parlamentar absolutista. E de quantos – depois de experimentar a vertigem do voto rosa – reincidiram na eleição dos mesmíssimos actores.

Maria de Lurdes Rodrigues é uma mera figurante no plano mais largo deste filme.
Uma espécie de braço armado de uma vaga que a ultrapassa em grandeza e em essência….  

 …E que persiste. Activa.

Dir-me-ão que neste momento se pode aproveitar o fim da “maioria” para remediar o mal.
Engano!
O maior mal está operado e não tem retorno. Tivéssemos nós pensado nisso mais cedo, quando sob ameaças debandámos e nos metemos em buracos.
Dir-me-ão que com a mudança de intérpretes se abrirá a janela para mudanças de “estilo” e de “rumo”.
Estupidez! (Ou manipulação.)
Os intérpretes serão rigorosamente os mesmos, com a excepção do enfoque da luz dos media. Quem esteve estará, dentro ou fora. Quem fez, faria de novo e não desfará porque assim manda a sua destorcida ética.

Por esse motivo sou desde já um opositor declarado à próxima Ministra da Educação. (Que será uma mulher, já que os “ministérios pouco importantes” tendem a ficar nas mãos de mulheres, até nos “governos” mais parideitários.)
Porque será mais um tentáculo de uma forma de conceber, de projectar, de aplicar e de impor que já deu frutos que já provei. Papel que, se não desempenhasse, outro desempenharia no seu lugar. Receptáculo quasi vazio que espera ser preenchido por uma corrente de lama que o transborde.

Resta-me esperar apenas – último reduto – que não venha a ser ninguém que conheça pessoalmente. Sempre me diminuía a velocidade da septicemia.

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